HISTÓRIA DO RALLY

 

Rally, Rallye ou Rali, qual é o correto?

Todos estão corretos. O que acontece é uma derivação na língua de cada país. Na França, o mais utilizado é rallye. Já na Inglaterra, é rally, e em português, o correto é rali.

De todo modo, a forma mais difundida atualmente é rally (com “lly”), tanto que a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) definiu em 2001 a padronização da grafia da palavra para “RALLY”.


O que é Rally?

O rally é uma competição automobilística realizada em estradas, pavimentadas ou não, que podem estar fechadas ou abertas ao trânsito normal. O rally é disputado sempre em duplas, cabendo ao piloto a correta condução do veículo e ao navegador orientar o piloto sobre o trajeto além de administrar a evolução da competição.

Existem três modalidades de rally:

Rally de Regularidade – estradas abertas
Rally de Velocidade – estradas fechadas
Rally Cross Country – ambos (depende da prova)


História do Rally

O Rally é a modalidade automobilística mais antiga do mundo. Em 1875, carros à vapor já se aventuravam por estradas perigosas, entre Le Mans e Paris. A primeira prova de verdade aconteceu na França entre as cidades de Paris e Rouen em 1894, com aproximadamente 126 Km. Sua finalidade era testar a durabilidade e resistência dos carros ao desafio dos pisos não pavimentados. As largadas eram dadas de minuto em minuto e havia a necessidade de navegação.

Em 1911 foi realizado o primeiro rally de Monte Carlo, que acontece até hoje e é a prova mais tradicional do calendário mundial.

No passado, os rallys começavam com a reunião de um grupo de amigos em determinado local, onde era dada a largada para itinerários previamente traçados. Era uma aventura diferente. Foi daí que surgiu o nome rally, que em Inglês significa reunião.

Marcel Renault durante um rali em 1903 o Rali Paris-Madrid.


História do Rally no Brasil
No Brasil tudo começou no início da década de 50, quando um grupo de entusiastas da SEGEL (Sociedade Esportiva e Cultural dos Empregados da Light) resolveu organizar rallys na cidade de São Paulo. Eram provas muito mais de cunho social do que desportivo. No fundo, estava-se aplicando o exato significado da palavra inglesa Rally - reunião, confraternização.
Em 1961, foi organizado o primeiro campeonato regional de rally em São Paulo. Quatro anos mais tarde Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul organizavam campeonatos regionais. O primeiro campeonato nacional aconteceu em 1973.

 

O rally de regularidade

São provas automobilísticas, nas quais não se exige um veículo especial. Isso mesmo! Você pode participar de um Rally com seu próprio veículo seja ele qual for, sem necessidade de nenhuma alteração do mesmo, o que torna o esporte bastante acessível. Podemos afirmar sem dúvida nenhuma que o rally é o esporte a motor mais amigo de seu bolso.

O objetivo deste tipo de rally é percorrer um determinado trajeto desconhecido tentando se manter fiel a velocidade média estipulada pela planilha. Diferente da maioria das competições automobilísticas (onde vence quem chega primeiro), a avaliação da performance dos competidores é medida através dos PCs (postos de cronometragem), que ficam localizados em pontos do percurso e que são desconhecidos dos competidores. A diferença do tempo ideal e o tempo real da passagem de uma equipe por um PC geram o número de pontos perdidos em uma prova. Vence quem perder menos pontos ao longo do caminho. Por exemplo: se você passa 10 segundos atrasado do seu tempo ideal em um PC, perde 100 pontos. É dado um ponto para cada décimo de segundo. Caso você passe adiantado, a penalização é em dobro, ou seja, perde 200 pontos.


Planilha

A planilha ou livro de bordo é um tipo de mapa codificado do caminho a ser trilhado. Ele conta com todas as informações sobre as distâncias, tempos e médias de velocidade que devem ser seguidos ao longo de toda a prova. É através da planilha que o navegador irá orientar o piloto. No rally a planilha é dividida em vários trechos que podem ser dos seguintes tipos:

Trechos de regularidade: são os trechos nos quais os competidores devem manter uma média horária pré-determinada, expressa em km/h. As médias são compatíveis com o tipo de estrada e o piso no qual está se desenvolvendo aquele trecho.

Trechos de deslocamento: são trechos usados para travessias de cidades e deslocamentos em estradas principais, que devido as suas características, não permitem que os competidores mantenham uma média de velocidade. Desta maneira é especificado um tempo máximo para se cumprir o trecho, assim os competidores poderão andar nestes trechos com segurança.

Neutralizados: são tempos dados pela organização aos competidores com a finalidade de abastecimento, alimentação, tirar fotos ou simplesmente para descanso durante a prova.


Navegação básica

A forma mais simples e barata de participar de um rally de regularidade é com o seu veículo original, sem nenhuma adaptação, e utilizando-se do hodômetro original do painel. Na maioria dos carros produzidos atualmente esse hodômetro vem com a função parcial (trip) que você pode zerar a hora que quiser. Recomendamos que os participantes tenham esse tipo de hodômetro em seus carros.

Os equipamentos básicos para se navegar em um rally de regularidade, além do hodômetro, são uma calculadora de quatro funções (quanto maior o display, melhor), um cronômetro, prancheta e muitas canetas.

O primeiro passo num rally começa antes da largada. É preciso fazer a aferição do seu hodômetro com o padrão de aferição utilizado pela organização. Isso porque nem todos os hodômetros são iguais, há variações entre eles que precisam ser anuladas. É necessário se manter um único padrão.

Esse padrão é divulgado antes da prova e também na planilha de navegação. Geralmente, utilizam-se duas placas de sinalização para isso (inicial e final).

Para deixar seu hodômetro com a mesma aferição do da organização, siga os passos abaixo.

Passos:

1- Zerar o seu hodômetro no início da aferição (placa inicial).

2- Percorrer todo o trajeto indicado pela organização sem fazer ultrapassagens ou “costurar o trânsito” e sempre pela pista da direita a uma velocidade normal para não ter que frear bruscamente o que poderia inserir uma imprecisão na aferição.

3- Anotar a distância obtida ao final da aferição (placa final).

4- Dividir o número obtido pelo seu hodômetro pela distância final da aferição (ex: hodômetro = 10,7 km / aferição = 10,540 resulta em 1,015180).
Pronto, agora você já tem um número para corrigir as distâncias da planilha.
Para que o seu hodômetro fique aferido durante toda a prova, basta você multiplicar todas as distâncias da planilha por este número.


Funcionamento da prova

O primeiro passo em uma prova é a largada. Ela é feita geralmente de um em um minuto, seguindo a ordem da numeração dos carros. Ou seja, se seu carro for o de número 42 e a prova começar ás 10:00 horas, você largará às 10 horas e 42 minutos.

Na largada, zere o hodômetro e dispare o cronômetro na hora em que o fiscal de largada der a bandeirada para você (10:42 hs em ponto). Daí você terá que seguir a planilha para saber aonde ir. Geralmente há um deslocamento antes de começar os trechos de regularidade. Lembre-se de que no deslocamento, não há pressa, pode ir tranqüilo até o primeiro trecho de regularidade. Ou seja, na planilha está escrito que você tem 30 minutos para percorrer 10 quilômetros de deslocamento. Como você largou às 10:42 hs, terá que iniciar seu trecho de regularidade às 11:12 hs. Quanto tempo você levou para chegar lá não importa. Por exemplo, se chegar em 20 minutos, terá que esperar dez minutos parado no acostamento.

Para fazer uma navegação básica, durante os trechos de regularidade, o navegador precisa calcular, no ponto que se encontra, o tempo ideal deste ponto e comparar com o tempo real do seu cronômetro que foi disparado no início do rally, vamos a um exemplo:

Média do primeiro trecho de acordo com a planilha = 36 km/h
Hodômetro no ponto em que você está = 2,5 km
Tempo no cronômetro = 0:04:25 (quatro minutos e vinte e cinco segundos depois da largada)

Formula: T = D / V

Onde T = tempo (horas) / D = distância (km) / V = Velocidade (km/h)

Aplicando a fórmula temos: T = 2,5 / 36 = 0,0694 horas centesimais.

Para obtermos a hora em minutos e segundos precisamos fazer um cálculo para transformar às 0,0694 horas centesimais em horas comuns (60 segundos = um minuto, para podermos comparar com o cronômetro).
O primeiro passo é multiplicar esse número por 60. Exemplo: 0,0694 x 60 = 4,164. Esse resultado indica que o valor é 4 minutos e 164 centésimos de segundos. Multiplicando-se a parte do número após a vírgula por 60, teremos os segundos (0,164 x 60 = 10), portanto o tempo ideal é 0h 4min 10seg.

Portanto neste ponto da prova a equipe está 15 segundos atrasados (0:04:25 – 0:04:10 = 0:00:25) em relação ao tempo ideal da prova. Se neste ponto houvesse um PC, esta equipe teria perdido 150 pontos.

Ou seja, com uma calculadora de quatro operações, você necessita fazer três contas simples (uma de dividir e duas de multiplicar) para saber se está adiantado ou atrasado na prova.

O desafio do navegador é de fazer esta operação acima descrita o maior número de vezes no menor espaço de tempo. Assim ele poderá orientar o piloto sobre a situação instantânea do carro e com isso o piloto poderá ou acelerar mais se estiver atrasado ou diminuir se estiver adiantado. Claro que uma boa calculadora programável facilita em muito este trabalho, pois além de fazer as contas o navegador ainda precisa indicar o caminho com precisão ao piloto, pois de nada adianta estar no tempo certo, porém no caminho errado.

Existem vários instrumentos de navegação que ajudam muito o trabalho do navegador, um deles é o hodômetro eletrônico que aumenta muito a precisão dos cálculos comparado com o hodômetro original do veículo. Os hodômetro atuais são digitais e medem de 1 em 1 metro, e ainda podem ser aferidos. Isto quer dizer que estarão sempre com o mesmo padrão da planilha que não necessita ser corrigida.

Ao longo dos últimos dez anos foram desenvolvidos computadores de navegação integrados com o veículo que fazem todos os cálculos para o navegador com uma precisão e velocidade impressionantes, permitindo que o navegador se concentre muito mais no roteiro e não nos cálculos. Quem preferir se utilizar desse tipo de equipamentos deverá obrigatoriamente se inscrever como graduado nas provas.

Apesar disso, cada vez mais os rallys se tornam emocionantes, pois os organizadores inserem outras dificuldades na prova, tais como um roteiro bastante difícil de ser cumprido, variações rápidas nas velocidades médias e laços de roteiro que dificultam o trabalho do navegador.

Se você curte aventura, fortes emoções, natureza, venha ser um competidor de rally. Não se arrisque em pegas e rachas. Além de extremamente perigoso, é contra a lei. No rally, você estará participando de uma competição oficial, atenta às normas do código de trânsito e a todos os itens para a segurança dos competidores e espectadores, além de proporcionar muitas amizades. Apesar de não ser uma prova de velocidade, o rally de regularidade é emocionante, quem participa pela primeira vez dificilmente abandona o esporte. É muito comum a participação de amigos, casais, pais e filhos. Saia da rotina e venha para o rally.


Glossário

Computador de navegação: equipamento eletrônico projetado para efetuar os cálculos de navegação e informar o tempo adiantado ou atrasado em relação ao tempo ideal

Código Tulipa: Representação gráfica do caminho a ser percorrido, é um pequeno desenho composto de linhas, uma seta e um ponto. O ponto é o lugar no qual você se encontra, a seta é a direção a ser seguida e as linhas representam as estradas.

Distância parcial: é a distância de uma referência a outra na planilha

Distância total ou acumulada: É a distância acumulada no hodômetro a partir da última vez que o mesmo foi zerado

Equipe: composta normalmente de 1 carro, 1 piloto, 1 navegador e algumas vezes até de apoio mecânico.

Hodômetro: aparelho mecânico ou eletrônico cuja principal função é de medir a distância percorrida.

Navegador: integrante de uma equipe de rally que é responsável pela navegação em uma prova, roteiro do caminho e cálculo de tempo.

PC (Posto de Controle): Local onde é controlado o tempo real de passagem de um competidor por um determinado ponto do roteiro. Uma equipe geralmente composta por duas pessoas anotam o tempo e o número do competidor quando ele passa. Atualmente, como no Rally Mercosul, para garantir a precisão, utilizam-se de sensores com fotocélula, que anulam possíveis erros cometidos pela equipe de cronometristas.

Piloto: integrante de uma equipe de rally que pilota o veículo. Geralmente é permitido nas provas de rally ao piloto e navegador se revezar nas funções

Planilha / livro de bordo: Espécie de mapa codificado com todas informações necessárias para se cumprir o roteiro da prova. Você encontra lá a velocidade média do trecho , a quilometragem e as referências. Ex. lá diz que no quilômetro 124 você terá que dobrar a direita na bifurcação. Daí, você olha o seu hodômetro e quando chegar nessa quilometragem vire a direita.

Referência: É a representação gráfica na planilha de um local físico, representado pelo código tulipa (tais como: bifurcação / encruzilhada / etc).

Zequinha: É o terceiro e quarto integrante de uma equipe de rally, as vezes suas funções são atribuídas pelos outros integrantes da equipe, ou apenas acompanham a prova.


Participe você também
Nunca é tarde para iniciar sua participação em Rallys. Nas categorias de entrada não é preciso nenhuma preparação no veículo. São organizadas provas mais leves em estradas de terra bem conservadas para veículos de tração normal.
Os organizadores costumam promover aulas de navegação com dicas de condução para equipes inexperientes.
Pilotos devem ser habilitados, para navegadores a idade mínima é 16 anos e para acompanhantes (que vão no banco de trás e são chamados de zequinhas) a idade mínima é 10 anos. Menores sempre devem apresentar autorização dos pais.


"Um dia que rally equivale a 15 dias de férias”